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6 de dezembro de 1995
Fanático e muito rico

Morando nos Estados Unidos há nove
anos, Edir Macedo caça fiéis com uma
boa oratória, muito senso teatral e
um discurso no limite da paranóia

Quem garante é o bispo Edir Macedo: encontrar Deus é melhor do que fazer sexo. "Foi um prazer tão grande que é até indescritível. Muito mais gostoso do que o gozo de um homem com uma mulher", conta ele, referindo-se a um primeiro contato que teria ocorrido em 1969, e que daria origem a uma virada radical não apenas em sua vida mas também na de milhões de pessoas. Fundada em 1977, a Igreja Universal do Reino de Deus é uma potência. Possui 3,5 milhões de adeptos em 34 países. Para a TV Globo, Edir Macedo é o inimigo a combater e, para a Igreja Católica, é o concorrente que assusta. Para si próprio, o bispo é, ao mesmo tempo, "um monte de estrume" e um "iluminado de Deus".

Para os pastores e bispos que animam multidões em 2 500 templos, Edir Macedo é a encarnação do todo-poderoso em mais de um sentido. Não delega poderes a ninguém e, de seu telefone de Nova York, onde reside desde 1986, decide negócios milionários e é capaz de acordar assessores às 4 da madrugada para dar uma ordem. Edir Macedo é venerado pela obra que construiu e temido pelo poder que possui. De seu humor dependem empregos bem remunerados, confortos como residência funcional e automóveis, e ainda estadias agradáveis no exterior. Como tantas religiões, empresas e entidades construídas em torno de uma única personalidade, a Igreja Universal não existe e aqueles pastores que aparecem na TV Record são descartáveis como personagens secundários de histórias em quadrinhos. Quem existe é Edir Macedo Bezerra, 50 anos, três filhos, antigo funcionário de loteria no Rio de Janeiro.
 
LEGUME - O bispo faz o estilo de um executivo próspero - não faltam nem a barriga um tanto saliente nem a preocupação com o colesterol. Nada é espalhafatoso. Em casa, usa jeans, camisa esporte e jaqueta. No púlpito, veste ternos bem cortados, paletós de cores escuras e calças em tons mais claros, para contrastar. As gravatas, sóbrias, repousam com o nó italiano sobre camisas brancas. Macedo, andando por uma rua de Nova York, passaria bem por alto funcionário de uma multinacional latino-americana. O perfume é um só. Todo o tempo, Armani.

Mensalmente, Macedo recebe um contra-cheque da Universal no valor de 8 000 dólares, dos quais desconta o imposto de renda e 800 dólares de dízimo para a igreja. Restam líquidos pouco mais de 5 000 dólares. Sua vida é bem mais confortável do que essa renda, bastante razoável, permite. A igreja - sua - lhe cede, tantas vezes quanto precise, carros para dirigir e casas para se hospedar. Paga viagens aéreas - na primeira classe, de preferência - para toda a família, inclusive "Peel", seu cãozinho da raça beagle. Arca, ainda, com a mensalidade escolar do filho caçula, Moisés, matriculado num tradicional estabelecimento da elite judaica nova-iorquina.

Sua mulher, Ester Bezerra, 45 anos, neta de pastor evangélico, fala assim do fundador e líder único da Universal, com quem está casada há 24 anos: "O Edir acha que mulher não pode mandar em casa, que deve ser discreta na hora de se vestir, que deve falar pouco, que deve ser boa mãe e boa dona de casa". Ester é tudo isso e mais um pouco. É uma primeira-dama de envergonhar as feministas amigas de dona Ruth Cardoso. "Sou submissa a ele, como aprendi a ser. Minha maior preocupação é não atrapalhar", diz. Macedo e a mulher estão juntos quase que as 24 horas do dia. Ele costuma levá-la até mesmo para as reuniões com auxiliares mais próximos, às quais comparece sem abrir a boca. "A gente depende muito um do outro. Rapaz, sem ela eu viro um legume", confessa o bispo.

Na semana passada, o casal ocupava uma casa de cinco quartos em Los Angeles - propriedade da igreja - onde o bispo passou algumas semanas para conferir o trabalho do pastorado local, aproveitando a oportunidade para esboçar a compra de um imóvel para a igreja, desta vez na região de Hollywood. A moradia fica em um dos melhores bairros da cidade, onde as casas têm um preço mínimo de 1 milhão de dólares. Além do casal Edir Macedo e o pequeno Moisés, haviam outros hóspedes na residência. Era o bispo Sergio Von Helde e sua mulher. Famoso por causa de seu pontapé numa imagem de Nossa Senhora, Von Helde foi passar uma temporada ao lado do bispo, antes de retornar ao país, onde terá de prestar contas à Justiça. Edir Macedo tinha conselhos a dar ao bispo do chute. Ele próprio já foi processado por charlatanismo, contrabando, curandeirismo e lavagem de dinheiro. Jamais foi condenado. Em 1992, chegou a amargar onze dias de prisão preventiva. Segue, impávido, na obra.
 
SONECAS À TARDE - Vivendo nos Estados Unidos há nove anos, Macedo sente falta do arroz com feijão, da couve, da carne-seca e do angu - seus pratos prediletos. Para prepará-los, carrega a tiracolo uma cozinheira fiel, Etelvina. Sua rotina começa às 8 da manhã, quando se pendura ao telefone, conversando com subordinados que se encontram em países tão díspares como o Japão e a Nicarágua. O bispo quer saber de trabalho e também de vida pessoal, que acompanha em detalhes. Para Edir Macedo, pastor que se divorcia está assinando carta de demissão.

Macedo só vai a restaurante se o convidam para um prato de macarrão. No mais, prefere os pratos brasileiros de Etelvina. Depois do almoço, invariavelmente, tira uma hora de soneca. "Se não durmo, fico zonzo", diz. No fim da tarde, lê a Bíblia e, à noite, exercita sua grande especialidade: pregar o Evangelho. Pode-se gostar ou não do bispo, mas ao vê-lo em ação fica difícil duvidar de que ele sente tanto prazer nisso como um profissional do futebol na hora de um gol.
 
"PERRDONA" - O botafoguense Edir Macedo sobe ao púlpito e se transfigura. Saca do bolso seus óculos de 2 graus em cada lente - miopia. Depois, baixa ligeiramente a cabeça e projeta os olhos para a frente, que ficam semicobertos pelas sobrancelhas. O efeito chega a assustar os desprevenidos. Lembra o aterrorizante Jack Nicholson no filme O Iluminado. É então que começa a falar, diante de uma audiência petrificada. Da platéia, em sua maioria hispânica, levantam-se clamores a Deus. Pede-se de tudo, mas principalmente o famigerado Greencard, documento que autoriza residência e trabalho permanentes nos Estados Unidos.

As súplicas são entremeadas por bordões, que podem ser espiritualistas, como "Baja Jesus Cristo, perdona su passado, limpia su corazón" ("Desce Jesus Cristo, perdoa seu passado, limpa seu coração") ou deslavadamente materialistas, como "Mira los bolsos de las personas, mi Diós, y venga los suprir" ("Observa os bolsos das pessoas, meu Deus, e venha recheá-los"). É o próprio Macedo quem primeiro enuncia as frases, instando os fiéis a repeti-las. Sua pronúncia, péssima, é um legítimo portunhol carioca. O "perdona", na sua voz, se transforma em "perrdona". "Cristo" vira "Críschito". E então, como faz tanto no púlpito como no momento em que fecha um negócio, o bispo pergunta: "Amém?" A resposta vem em coro: "Amém!"

Muitos não compreendem a língua do bispo. "Em inglês, sou pior ainda", admite ele, bem-humorado. Mesmo assim, os fiéis se emocionam. "Não entendo direito o que o bispo fala, mas tenho certeza de que são coisas boas e bonitas", comenta a mexicana Lilia Arteaga, de 16 anos. Disso também está segura Carmen González, 50 anos, que se diz curada de um câncer nas cordas vocais. Além da oratória, o bispo tem um dom a mais. O teatral.

Quando toca no nome de Jesus, seu corpo se contrai e, num movimento que os presentes entendem como sinal de profunda excitação, ele fica andando sem parar pelo palco. No instante em que interrompe a caminhada, os pés se entortam, voltados para dentro. A voz faz rodeios dramáticos, que lembram o locutor Gil Gomes. Por vezes é mais grave, outras, mais aguda. Há sussurros e também gritos. Quando anuncia a presença de Deus, Macedo berra no microfone sem fio. Impressiona.

Mais do que a calvície ou a verruga que fica abaixo do lábio, o que marca o bispo são as mãos. Seus dois dedos indicadores são finos, da espessura de uma caneta. Os polegares, um pouco mais grossos. Mexem pouco. Articulados mesmo, só os outros três dedos. O problema de Macedo é hereditário. Sua avó tinha só três dedos em cada mão. O bispo convive com o defeito desde criança, o que lhe valeu traumas e uma timidez característica.

A mulher, Ester Macedo, define o bispo como uma pessoa impaciente e insistente. "Com ele, é tudo na hora", diz ela. Ester lembra que, já no primeiro encontro, ele foi colocando a mão em sua cintura, o que a obrigou a reagir: "Sai disso, homem safado". O bispo namorou, noivou e casou em oito meses. Também foi assim que construiu sua igreja. Fundou-a no porão de uma funerária carioca e, doze anos depois, já tinha 45 milhões de dólares no bolso para comprar a TV Record. Hoje, a dívida da emissora, estimada em 300 milhões de dólares, já está quitada integralmente. A igreja tem também um patrimônio conhecido de 26 rádios, três jornais e duas revistas.

A vida confortável de hoje é o céu na terra comparado com o começo. Da infância, em Rio das Flores, no Estado do Rio de Janeiro, o bispo guarda a lembrança de seis irmãos vivendo na dureza e um pecado punido a mão de ferro pelo pai. Foi quando roubou um sorvete da padaria. O pai, um alagoano que, segundo o bispo, não era muito de conversa, descobriu, lhe deu uma surra e o humilhou. Obrigou-o a confessar o roubo na frente dos amigos e teve de pagar o sorvete. "Ao menos aprendi a lição. às vezes, não adianta conversar. Tem de ser na surra, mesmo", consola-se. O maior vício do bispo durante a juventude não foram as drogas, nem as bebidas nem o cigarro. Macedo conta que seu maior vício eram as mulheres. O bispo foi um namorador aplicado até que se emendou e hoje se apresenta como um marido presente e fiel.

Em Los Angeles, uma ou duas vezes por semana, por volta das 3 horas da madrugada, o bispo saía de casa, entrava num Sentra azul prateado e, mesmo desacompanhado, caminhava rumo a um ex-cinema que hoje em dia exibe um letreiro iluminado onde se lê: "La Iglesia Universal del Reino de Dios". Ele abre a porta do que já foi uma bilheteria e se ajoelha em frente do palco, no qual antes ficava pendurada a tela e hoje há uma cruz enorme. Onde, por meio século, encontrava-se o quadro de fotos de filmes, hoje se vêem retratos do próprio Macedo no Monte Sinai ou em excursão por Jerusalém. Nesse cenário devastado, o bispo reza por uma hora e volta para casa.

Edir Macedo provoca delírios entre seus fiéis, mas, observado com frieza, conclui-se que o próprio bispo também delira. Não há nada de errado em seu costume de criticar a Igreja Católica - todas as seitas e religiões, antes mesmo de a Bíblia ter sido escrita, só puderam prosperar competindo com as crenças que existiam anteriormente. Não é bonito, mas faz parte do jogo. Só que há um elemento paranóico no pensamento de Edir Macedo. Ele gosta de se apresentar como vítima de uma conspiração católica mundial, que, além de persegui-lo, nas horas vagas se ocupa em produzir todas as mazelas do planeta.

O bispo gosta de fazer o perigoso exercício de convocar o demônio quando isso lhe convém. No seu discurso, quem não está ao lado da Igreja Universal é um aliado automático do inferno. O problema é que sua disputa com a Rede Globo, por exemplo, nunca envolveu uma guerra santa - mas a guerra, econômica, de duas emissoras de TV, a sua e a do jornalista Roberto Marinho, para ganhar pontos na audiência. Ao acusar a Igreja Católica e outras religiões de ser organizações apenas ocupadas em ganhar dinheiro, o bispo ignora um elemento que está presente, em princípio, em todas as crenças - a fé. Uma pessoa que resolvesse estudar o bispo Edir Macedo com os mesmos argumentos que ele aplica a seus rivais chegaria a conclusões desagradáveis. Iria pensar que o bispo fez campanha para Fernando Collor, em 1989, e Fernando Henrique, em 1994, apenas por interesses mesquinhos e vis. Poderia achar que ele estava interessado em bajular o governo manipulando os votos de seus fiéis para continuar ganhando novas concessões de rádio eTV e, dessa maneira, pagar bons salários, viagens ao exterior e mordomias em geral para seus apaniguados.


"Sou o estrume do cavalo do bandido"

O fundador da Universal diz
que tem vaga reservada no
Reino de Deus, mas reconhece
que não é nenhum santo

Após um silêncio de pelo menos três anos, em que só concedeu longas entrevistas aos meios de comunicação da Igreja Universal, o bispo Edir Macedo deu um depoimento de doze horas a VEJA. Foram sete encontros, no espaço de cinco dias, todos realizados em Los Angeles, região onde a Universal já possui quatro templos e prepara a aquisição de um quinto, na área de Hollywood. Abaixo, os principais trechos da entrevista:
 
VEJA - Como o senhor definiria o bispo Edir Macedo?
MACEDO - Sou o estrume do cavalo do bandido. Eu como ser humano sou um monte de nada. Viemos do nada, nada somos, fisicamente para o nada iremos. Para o mundo, eu me considero um lixo. O apóstolo Paulo dizia: "Para mim, o morrer é lucro e o viver é Cristo". Isso significa que o viver é sacrifício. Se eu partisse para a eternidade hoje, para mim seria um prêmio. A pior etapa do espírito humano é a passagem pela Terra. Viver aqui é um sacrifício. A única coisa que presta neste mundo é a fé no Senhor Jesus. Fora isso, é impossível ser feliz neste mundo.
 
VEJA - O senhor é um pecador?
MACEDO - Se me colocarem num mosteiro, se eu viver num ambiente contrito, eu vou pecar, porque não consigo controlar meus pensamentos, meus instintos. Quem somos nós para controlar o nosso eu? Alguém disse que somos nossos maiores inimigos. Não sou um santo.
 
VEJA - Quando o senhor morrer, qual será o destino de sua alma?
MACEDO - Não tenho a menor dúvida para onde vou. Eu sei o que me espera. Me espera a coroa da vida, a vida eterna.
 
VEJA - O senhor tem ou teve vícios?
MACEDO - Nunca bebi, nunca fumei. Mas com mulher é diferente. Não dá para resistir.
 
VEJA - O senhor encara o sexo de uma maneira incomum à maioria dos líderes religiosos.
MACEDO - O sexo é para você ter prazer. Dentro do casamento, é claro. Penso que Deus criou o sexo também para você tirar a sua ansiedade, descarregar sua carga um com o outro e assim ficar aliviado. Por isso somos a favor do planejamento familiar. Mas meus pais, por exemplo, que tiveram 33 filhos, dos quais apenas sete sobreviveram, não sabiam disso, não tinham consciência de planejamento familiar. No tempo deles, praticamente não havia camisinha e acreditava-se que a única função do sexo era a procriação. A desgraça do mundo está em cima disso.
 
VEJA - Qual a sua opinião sobre o aborto?
MACEDO - Tenho meus próprios princípios. Não posso emitir opinião contra o aborto. Não sou contra nem a favor. Tudo depende da situação. Se minha filha fosse estuprada, gostaria que o feto fosse abortado.

VEJA - O senhor sabe que isso se choca diretamente com as idéias defendidas pela Igreja Católica...
MACEDO - Confesso que não entendi, até agora, que interesse a Igreja Católica tem em defender essa posição. Nós estamos trabalhando no sentido de conscientizar as pessoas sobre a necessidade de planejamento familiar. Todos precisamos tomar conhecimento dos direitos e privilégios que temos. "Nada há de melhor para o homem do que comer, beber e fazer que sua alma goze do bem de seu trabalho" (Eclesiastes, 2, 24), diz a Bíblia. Eu penso que a Igreja Católica tem interesse na miséria dos povos. Todos os povos que foram catequisados pelos jesuítas estão aí na miséria do Terceiro Mundo, descendo para o Quarto Mundo.
 
VEJA - Não se pode dizer que a Europa, que é majoritariamente católica, possa ser classificada no Terceiro Mundo.
MACEDO - Esses números que falam da força do catolicismo são manipulados pela Igreja Católica. É tudo enganação. Tem a mesma origem da afirmação de que o Brasil é o maior país católico do mundo. Balela que também se vê em outros lugares. O papa esteve na áfrica do Sul e fez uma missa no mesmo dia em que a Universal organizou um culto. Divulgaram que 300 000 pessoas foram ver o papa e só 80 000 estavam conosco. Depois, a conta da Igreja foi baixando. Ficou em 200 000, depois caiu mais, para 100 000. Mas eu acho que o papa reuniu, no máximo, 20 000 pessoas.
 
VEJA - De que forma a ação da Igreja Católica pode prejudicar um país como o Brasil?
MACEDO - Os feriados de santos são um bom exemplo. Acho que todos eles deveriam acabar. O Brasil não tem condições de ficar parado, porque está cheio de dívidas. Como é que vamos resolver os problemas assim? O país tem de trabalhar. Isso é o que temos ensinado ao povo. Se alguém vem à igreja e fica sentado orando - e só isso -, o que Deus pode fazer por ele? É preciso orar, sim, mas também tem de ir à luta, trabalhar. Não há outro jeito de conquistar as coisas. Morre-se mendigo. Se os judeus tivessem colonizado o Brasil, seríamos uma potência. Se os holandeses nos tivessem colonizado, também. Seríamos a maior potência do mundo.
 
VEJA - Mas, bispo, o Japão, que ninguém duvida de que seja de Primeiro Mundo, tem mais feriados do que o Brasil.
MACEDO - A diferença é que lá no Japão eles trabalham mesmo, não ficam enrolando como no Brasil. Nosso problema é a Igreja Católica. Eles são os responsáveis pela miséria e desgraça do Brasil e de todas as terras. Há algum tempo o México expulsou uns padres porque estavam fazendo guerrilha separatista. Ela é um Estado político, que domina os povos. Ela promove desesperadamente o nascimento. Não importa se a pessoa vai nascer para morrer, para viver na desgraça. Ela é contra o planejamento familiar, contra a camisinha. Quanta gente está morrendo de Aids? Milhares. E a Igreja romana tem a audácia de aparecer na televisão e dizer para não usar a camisinha. Meu Deus do céu! Tudo o que ela ensina é contra o povo. Ela não tem nenhuma consideração pelas pessoas. Veja a questão do celibato dos padres...

VEJA - O que isso tem a ver com falta de consideração pelas pessoas?
MACEDO - Os padres católicos não se casam e não é porque queiram ser santos. O problema é que a Igreja Católica tem uma fortuna incalculável. Se os padres se casassem, teriam filhos, e eles teriam direitos à herança. Obrigariam a divisão da riqueza romana. É só por temor a isso que os padres não se casam, porque não tem nada de bíblico no preceito do celibato. Além do mais, nenhum padre pode aconselhar alguém. O que ele entende de matrimônio, de briga conjugal, de ciúmes, se presumivelmente nunca conheceu a mulher na intimidade? Eu, por exemplo, cumpro todos os deveres que a Bíblia propõe. "É necessário que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher." Sou bispo de acordo com a Bíblia. Os da Igreja Católica não entendem isso, porque não são casados. Onde estão suas mulheres? Eu acharia muito melhor os padres se casarem do que viverem abrasados. Nós temos visto agressões sexuais contra menores que entram nos mosteiros. O Vaticano, há dois anos, pagou 500 milhões de dólares a título de indenização por agressões de padres contra menores nos Estados Unidos.
 
VEJA - O senhor não estaria generalizando o comportamento de uma minoria, atribuindo-o a todo o clero católico?
MACEDO - De jeito nenhum. É muito jesuíta envolvido nesse tipo de escândalo. E não é que nos Estados Unidos aconteça mais do que no Brasil. A diferença é que aqui a mídia divulga mais esses casos, não é tão subserviente. Há uma história de crimes nas costas da igreja de Roma. Eles são os responsáveis pelas Cruzadas. Invadiam, matavam e estupravam quem não era daquela fé. A Igreja Católica sempre trabalhou com os monarcas e, junto com os reis, controlava a nação. Caíram os reis, veio a ditadura. Novo totalitarismo, novo horror. No século 20, eles apoiaram o nazismo, prepararam as duas guerras mundiais para acabar com os judeus e tomar Jerusalém.
 
VEJA - No Brasil recente, porém, a cúpula da Igreja Católica, que apoiou o regime de 64, mais tarde participou do processo de redemocratização do país, destacando-se o exemplo de dom Paulo Evaristo Arns em São Paulo.
MACEDO - Não faço a menor idéia do que esse sujeito tenha feito em prol da democracia. De toda forma, tenho motivos para desconfiar de sua legitimidade. A maior desgraça para a cúpula católica é a democracia. Porque o povo elege o povo e a Igreja perde o poder. Católicos e totalitarismo, repito, sempre caminharam de mãos dadas. Quem está por trás da Globo? Quem financiou o surgimento da emissora? Respondo: o grupo Time-Life. E quem é o dono da Time-Life? A Igreja Católica. E quem trancafiou o Brasil numa ditadura? A Rede Globo.
 
VEJA - O senhor já foi fiel da Igreja Católica. Como se deu a ruptura?
MACEDO - Não foi uma ruptura. Simplesmente, aquilo não me dizia nada. Quando encontrei o Deus que buscava, destruí as imagens de santos que tinha. A primeira coisa que fiz foi rasgar uns santinhos de papel que tinha no meu bolso e arrancar do pescoço um colar com a imagem de São José. Me desfiz disso tudo.
 
VEJA - E jogou no lixo, mesmo?
MACEDO - Não tenha dúvidas. E pisei com muita raiva. Estava revoltado. Quanto tempo fui enganado! Quando descobri que estava enganado, eu pisei, pisei, pisei com muito ódio naquilo. Fiz isso pela minha fé e com todo o meu direito. Era meu. Foi um novo nascimento. Aí comecei a viver. A Universal viria oito anos depois.
 
VEJA - Por que a Igreja Universal persegue tanto a mãe de Jesus?
MACEDO - A Igreja Católica é que começou a promover Maria. Ela não passava de uma serva de Deus, um instrumento usado para trazer Jesus ao mundo. O culto mariano é uma agressão a Jesus e a ela mesma. Há um trecho da Bíblia em que Jesus se dirige à mãe, dizendo: "Mulher, que tenho eu contigo?" Veja bem, ele não disse "mamãe". Maria então entendeu que Jesus era Deus, o Deus homem. E ela pediu a todos para obedecer a Jesus. Nós fazemos apenas o que ela mesma indicou. A Igreja Católica faz o contrário. Ela promove a imagem de Maria porque isso é lucrativo. O Vaticano tem fábricas de santos, fábrica de estátuas. E eles sabem que qualquer imagem feminina faz sucesso. E tem mais, o problema não é só com ela. Quando vejo a imagem de Jesus ensangüentado na cruz, fico com pena dele.
 
VEJA - Qual o problema com a imagem de Jesus?
MACEDO - Para mim, a imagem de Buda é melhor do que a de Jesus, porque pelo menos o Buda é gordo e saudável. Dele, ao menos, não preciso ter pena. O visual de Jesus nada tem a ver com a imagem daquele homem barbado, com cara de sofrido.
 
VEJA - De onde o senhor tirou esta conclusão?
MACEDO - A Bíblia o apresenta como a face do sol do meio-dia. O que a Igreja Católica faz é o oposto. É como se eu fosse visitar um paciente terminal de câncer e, pouco tempo antes de ele morrer, eu tirasse uma fotografia do rapaz, em coma, semimorto. E pegasse aquela fotografia, pintasse um quadro, fizesse uma imagem de gesso e levasse para sua casa e colocasse no lugar mais aparente da sala.

VEJA - Qual a razão desse comportamento?
MACEDO - Passa-se a idéia de que, se ele sofreu, não há mal algum no fiel sofrer também. Então a humanidade passa a aceitar a derrota como uma coisa natural. Como as religiões não atendem às necessidades das pessoas que estão sofrendo, elas se justificam diante delas com uma imagem de alguém que supostamente também foi derrotado. "Olha, vocês estão no fundo do poço, Jesus também esteve e ninguém salvou. Está lá, morreu." Essa idéia faz com que as pessoas acatem os seus sofrimentos, aceitem os seus carmas ou sua desgraça como uma cruz.
 
VEJA - Essa sua tese equivale a uma defesa do que o bispo Von Helde fez na televisão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida?
MACEDO - Ele não deveria ter feito aquilo, para não ofender o povo católico, que não tem uma compreensão da palavra de Deus. Não temos o direito de ofender ninguém, mesmo que as pessoas estejam erradas. Não podemos agredir. Como ministro do Evangelho, eu nem seria capaz de levar uma imagem à televisão. Para mim, o bispo Von Helde já errou ao levar a imagem. A primeira coisa que fizemos na Record, depois de comprá-la, foi remover uma imagem de gesso que tinha lá.
 
VEJA - O que houve de errado na atitude de Von Helde, afinal?
MACEDO - Depois que vi a fita na íntegra, notei que Von Helde não fez nada de mais. Apenas tocou uma imagem de gesso com o pé. Ele não chutou, como a rede Globo alardeou. Aliás, a imagem era dele, ele comprou, pertencia a ele. Ele podia fazer o que bem quisesse com aquilo. A Rita Lee fez muito pior. Vestiu uma pessoa de Aparecida num show, e depois tirou a roupa dela. A verdade é que se está tentando impor uma religião italiana. Na Constituição, não existe uma religião oficial. No entanto, nós temos um dia de Aparecida. Isso é uma agressão a todo o povo brasileiro. O que eu não faria mesmo seria tocar com o pé aquela imagem. Mesmo que ela não tenha nenhum sentido. Como também não tocaria com o pé numa imagem do Buda, ou de Maomé. Não gostaria de ofender a quem quer que fosse. Neste aspecto, o bispo Von Helde falhou.

VEJA - Não é machismo dizer que Maria foi um simples instrumento? A Universal se dá bem com mulheres?
MACEDO - Na igreja tem mais mulheres do que homens. A mulher tem uma força muito maior que a do homem. Para mim, o sexo frágil não é a mulher, é o homem. Qualquer dorzinha de cabeça, ele se desintegra. E digo mais: um pastor só é consagrado pastor na Universal se for casado com uma esposa verdadeiramente convertida. Porque, do meu ponto de vista, a mulher leva o homem à presença de Deus, mas também pode levá-lo ao inferno.
 
VEJA - A mulher é perigosa, então?
MACEDO - É um perigo. Tem de tomar muito cuidado com ela. Pode ser uma bênção ou uma maldição. A mulher tem a capacidade de levar uma casa, uma família. Tem o poder de sustentar o homem. Mas também, quando ela é do diabo, ela desgraça o homem. Na Universal tinha um monte. Na Bíblia, Dalila enlouqueceu Sansão.

VEJA - Como deve ser a relação entre a mulher e o homem no casamento?
MACEDO - A Bíblia fala que a mulher deve ser submissa ao marido. Também diz que o marido tem a obrigação de amá-la. Porque a tendência da mulher é mandar no marido. Quando ela é o cabeça, é um desespero. Então ela deve ficar subordinada. Nós temos os movimentos feministas pregando o contrário. Mas as mulheres devem ficar submissas ao marido.
 
VEJA - A Universal admite que um pastor se divorcie?
MACEDO - Se o pastor da Universal entrar em desquite ou divórcio, ele deixa de ser pastor. Não vai ter cabeça para pregar. A pior coisa do mundo é um mau casamento. Vi isso na minha própria família, com meu irmão. Fiquei com medo de casar, até. O sujeito leva aquele fardo para o resto da vida. Se tiver filho, então, fica tudo dividido. A geração torna-se corrupta e rebelde porque está dividida. Alguns com o pai, outros com a mãe.
 
VEJA - O que causa o mau casamento?
MACEDO - São forças do demônio. Existe um espírito que só atua na destruição do lar. É o chamado espírito familiar. Você pode verificar isso a partir das etapas que o casal enfrenta na vida. Esse espírito normalmente vem dos pais. Se eles são divorciados, o mesmo espírito que destruiu o lar dos pais vai tentar destruir o lar dos filhos, dos netos, dos bisnetos. Isso é uma herança maldita.
 
VEJA - Quer dizer que, além de herdar os genes de seus pais, um pecador herda o espírito satânico?
MACEDO - Ele passa de pai para filho por todas as gerações, até que a pessoa tenha um encontro com Jesus. Aí, corta-se a maldição.
 
VEJA - Que outros espíritos diabólicos o senhor entende que acometem a humanidade?
MACEDO - Existe o espírito da prostituição (prostitutas, homossexuais) e de enfermidades. Este faz a pessoa se manter doente por toda a vida. Por exemplo, a epilepsia é causada por um espírito. Há muitas pessoas que foram curadas da epilepsia sem medicação, apenas por influência da "libertação".

VEJA - A Aids é causada por um espírito também?
MACEDO - Creio que sim. De tempos a tempos, aparece uma enfermidade terrível, pior que a anterior. Antes era o câncer, agora é a Aids. Amanhã vai haver coisa pior. O que importa é que está havendo um crescimento e que a ciência não tem tido capacidade de segurar isso. Fiquei sabendo que a Aids é um vírus que, ao ser examinado, de repente já se transforma numa outra coisa e, depois, em outra. É uma coisa incontrolável. Quer dizer, é uma coisa diabólica.
 
VEJA - Mas o vírus existe, bispo.
MACEDO - Sem dúvida, é um corpo que tem espírito. Mas dá para detê-lo. A Bíblia está cheia de exemplos disso. Jesus encontrou uma pessoa que se alimentava de cadáveres humanos. E quando Jesus expulsou aquela legião de espíritos, aquele homem ficou bem. Isso acontece aos milhares na Universal.
 
VEJA - O senhor poderia exemplificar?
MACEDO - Essa força maligna, que toma a mente e faz a pessoa ficar louca, perturbada e toma o coração, essa força causa raiva, ódio, doenças. Há pessoas que têm feridas nas pernas que não cicatrizam nunca. Por quê? Aquilo é um espírito que está alojado ali. Aquilo é um espírito. Aqueles que têm dor de cabeça constante, daquelas que não há médico que descubra a causa... pois bem, isso é o espírito. A pessoa que tem uma dor de estômago, mas o médico não descobre a causa. Isso é um espírito. Todas as pessoas que sentem dores, vão ao médico, e ele não consegue diagnosticar nada, estão tomadas pelo demônio. Essas são doenças espirituais. E quando o problema é espiritual não tem médico que consiga resolver.
 
VEJA - A causa disso não poderia ser simplesmente uma ignorância do médico ou mesmo da ciência?
MACEDO - Desafio a ciência médica a fazer um exame sobre o trabalho que a palavra de Deus faz nesses casos. É claro que quem não crê em Deus, quem não tem nenhum relacionamento com Ele, vai achar isso que estou dizendo uma piada. Vai achar que sou maluco.

VEJA - Daria para o senhor narrar como foi o encontro que teve com Deus?
MACEDO - Aconteceu há 32 anos, na sede de uma igreja pentecostal. É uma coisa mais forte do que a morte, mais forte do que tudo. Seu coração passa a ser só d'Ele. Você não dá para mais ninguém. Eu amo minha mulher, amo meus filhos, mas o meu coração eu não dou nem empresto para ninguém. É d'Ele. É muito forte. Todas as vezes que oramos nos comunicamos com Deus. É como se eu estivesse falando com você agora. A gente sente proximidade. Só que Ele não fala no intelecto, fala no coração. Há momentos da busca em que a gente sente o gozo da alegria, mais gozo do que o gozo de um homem com uma mulher. É mais gostoso do que o gozo que o homem tem com uma mulher. É uma coisa indescritível, uma alegria indizível. É a coisa mais gloriosa que existe.
 
VEJA - Livros de auto-ajuda como os de Paulo Coelho poderiam aproximar as pessoas do caminho de Deus?
MACEDO - Paulo Coelho é um louco, fala um monte de baboseiras. Sobre família, pelo que li, ele é contra a instituição familiar, o que para mim é a coisa que mais prezo. A opinião dele é totalmente avessa à Universal. Penso que ele é uma pessoa que quer aparecer.
 
VEJA - Como são os mecanismos de ação dos demônios?
MACEDO - O caso do Pedro Collor é típico. Ele foi acusado de não estar bem da cabeça quando fez as acusações contra o irmão. Os exames deram que Pedro não tinha nenhum problema mental, mas, mesmo assim, depois do impeachment, ele apareceu com um tumor na cabeça e morreu da noite para o dia. O que é isso? Isso é um espírito imundo. Havia na família muita gente que lidava com isso, havia muitos trabalhos de bruxaria. Veja que a mãe dele ficou doente e não morria, por muito tempo. É um espírito.
 
VEJA - Todo caso de coma profundo, então, é possessão demoníaca?
MACEDO - Nem sempre, mas algumas vezes, sim. Lembra-se da Clara Nunes, aquela cantora que ficou muito tempo em coma? Sabe como ela realmente partiu? Houve uma reunião na Universal, e o espírito que estava nela foi manifestado por uma pessoa presente. A pessoa estava infestada e disse tudo o que estava acontecendo com Clara Nunes. Veio o espírito e falou tudo sobre ela.
 
VEJA - E o que o espírito falou?
MACEDO - Falou que ela não estava fazendo as coisas direito, e que ele iria levá-la. Primeiro deixaria ela sofrer bastante. Ela era serva de Iemanjá, cantava de branco, essas coisas.
 
VEJA - O espírito que atacou Leda Collor também freqüentou a Universal?
MACEDO - Não apareceu, não, mas eu sei que aquilo ali é o demônio puro. Na família toda. E ainda está atuando. O Collor perdeu o mandato por causa da bruxaria cultivada por ele próprio.
 
VEJA - Como se faz para saber se o sujeito está possuído pelo diabo?
MACEDO - Toda sorte de miséria e desgraça, até o desemprego, é sintoma da ação do diabo. Não quero dizer que todos os pobres sejam endemoniados, pelo contrário. Quero dizer que quem tem o diabo no corpo acaba em miséria.
 
VEJA - O diabo ataca o senhor freqüentemente?
MACEDO - Ele tenta, às vezes, pela mídia, nos destruir. Só que não sou bobo, não leio a mídia. A Globo é a própria encarnação do diabo. Ela destrói a sociedade com a sua programação de novelas sujas, podres. Leva à família a podridão toda que ela é e vive. Esse Deus grande que nós cremos, que fez de um povo escravizado uma nação poderosa, esse Deus que eu amo, ele vai destruir a Globo. Onde quer que a Globo jogue as imagens de sua programação nojenta degrada as pessoas. Mesmo assim, oro pelo Roberto Marinho. Temos de amar nossos inimigos. Porque, se eu amo só aqueles que me amam, que proveito há nisso?
 
VEJA - Como foi a sua prisão, em 1992, sob a acusação de charlatanismo?
MACEDO - Um horror. Mas devo dizer que foi uma coisa boa para a Universal. Porque muitas pessoas que me atacavam passaram a me apoiar, sobretudo as outras igrejas pentecostais. Inclusive, se o bispo Sergio von Helde fosse preso, seria um herói nacional. Seria mesmo. E a Igreja está precisando de um herói. As coisas acabariam revertendo a nosso favor.
 
VEJA - O senhor está vivendo fora do Brasil há nove anos. É difícil converter o americano comum em uma fé que nasceu no Brasil?
MACEDO - Não é dificil quando ele está no fundo do poço. Não é só o americano, é qualquer pessoa. A pessoa, quando chega até nós, é porque chegou até o fundo do poço. E quando ela está lá tende a subir ou morrer. Baixar mais não pode.
 
VEJA - O senhor disse que é impossível ser feliz neste mundo. Não há como?
MACEDO - Só um hipócrita pode ser feliz convivendo com tanta criança pedindo dinheiro nos faróis. Fico com uma sensação de revolta. Eu às vezes dou dinheiro, às vezes não. É um problema sério.
 
VEJA - Por que o senhor simplesmente não pega uma parte da riqueza da Universal e distribui entre os pobres?
MACEDO - Jesus disse que a riqueza de um homem não consiste nos bens que possui. A minha riqueza é a minha fé, a minha família. O resto para mim não importa. Isso não quer dizer que eu não venha a utilizar as coisas deste mundo. Uso porque elas são para ser usadas.
 
VEJA - Mas, bispo, e as criancinhas nos faróis?
MACEDO - Na Universal, muitos pastores abriram mão de ter filhos. Isso não os impede de adotar. Nós achamos que é melhor adotar do que ter um filho. Porque as crianças que estão aí precisam de ajuda, estão desamparadas, precisam de pai. Em vez de trazer crianças ao mundo, vamos ajudar as que estão aí. Muitos pastores têm crianças adotadas. É uma prática na Universal.
 
VEJA - E o que o senhor acha do trabalho assistencial da Igreja Católica para crianças?
MACEDO - Eu duvido muito disso. Há pouco tempo saiu um escândalo com o Betinho, que fazia aquele trabalho de "vamos ajudar" com a Rede Globo. Ficou constatado que é tudo uma farsa. Eu não acredito nesses nomes bonitos, nesses rótulos coloridos, tipo Pastoral da Criança.
 
VEJA - O senhor acha que a campanha do Betinho é uma farsa?
MACEDO - Acredito que sim. O escândalo que houve mostrou isso. Parece que ele estava ligado com os bicheiros, coisas dessa linha.
 
VEJA - Qual a fundamentação teológica para a insistência da Universal em recolher dinheiro de seus fiéis?
MACEDO - A Bíblia, do início ao fim, fala sobre ofertas. A oferta representa alguma coisa. Não é simplesmente uma questão de dinheiro. Ela significa amor. Quando você ama alguém, você dá alguma coisa a esse alguém. Como expressar seus sentimentos por alguém? Dando-lhe algo. Abraão quase sacrificou o filho para dar esse algo a Deus. Nós damos a oferta.
 
VEJA - Quanto mais dinheiro se pagar na oferta, maior será a bênção a ser recebida de Deus?
MACEDO - Segundo os Coríntios 9,6, o apóstolo Paulo diz: "O que semeia pouco, pouco tambem ceifará. E o que semeia com fartura, com fartura ceifará". Eu ensino isso às pessoas. De acordo com o tamanho da fé, a pessoa faz a oferta. Para que alguém alcance as riquezas de Deus, é preciso manifestar uma fé. A fé no Deus vivo é o melhor investimento que uma pessoa pode fazer na vida.
 
VEJA - E se depois de tantas ofertas a promessa não se cumprir?
MACEDO - Por que a Universal cresce? Porque está trazendo benefícios para as pessoas. Caso contrário, a igreja desapareceria. As pessoas estão recebendo. Está havendo uma troca com o Criador.
 
VEJA - Qual o patrimônio que a Universal reuniu depois de tantas ofertas, de tantos fiéis?
MACEDO - Não posso falar em números. A Bíblia ensina que Davi cometeu um grave erro e veio uma maldição sobre o povo judeu porque ele contou o número de pessoas que compunham Israel.
 
VEJA - Ah, ah, ah.


 
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